Imagine-se um país a que dois povos chamam de seu.
Por terem no mesmo território e nas mesmas cidades pontos e referências em comum.
Por terem coexistido, em relativa paz, durante os últimos 600 anos.
Exemplos como este são inumeros pelo mundo fora. Na India, dividida entre hindus e muçulmanos aquando da indepêndencia; nos Balcãs, recentemente desagregados pela ausência de uma entidade comum e por raivas recalcadas; ou o eterno caso Israel-Palestina, que aguarda solução ( desde a deslocalização de Israel para o Alaska, sugerida pelo governo Iraniano, á colonização total pelos filhos de Abraão, como defendem os judeus mais ortodoxos).
As duas fotografias anteriores referem-se a um caso menos conhecido, que originou um êxodo de população de cerca de 3 a 4 milhões de pessoas entre duas costas do mesmo golfo povoado de ilhas.
Através de negociações comuns, com acordos tirados a ferros por dois estados que nunca nutriram grandes empatias_Grécia e Turquia_ durante os anos 60 procedeu-se a uma troca de populações entre as costas ocidental e oriental do Mar Egeu.
Resultado prático: milhões de refugiados nos dois países, e um boom de população deslocada nas principais cidades da Grécia.
Dos 10 milhões de habitantes da Gécia, actualmente, 6 milhões vivem em Atenas, 3 milhões em Tessalónica o o restante território alberga, dispersos, os restantes 10% da população.
Gerou isto uma cidade gigantesca, poluida, degradada. Na peninsula da Ática, onde se situa Atenas, coexiste uma comunidade urbana de milhões empacotados em edificios de construção apressada, tráfego caótico e pouco ou nada resta do que seria a cidade original.
Como destino turistico resta "O" ponto de interesse. O parque temático. O monumento chave. O berço da Europa democrática.
Uma colina isolada num mar de edificios ao qual não se vê principio ou fim.
Uma colina atravessada por caminhos de cabras, cadeiras à sombra de latadas,
taskas com saladas e queijos, portas abertas e gente hospitaleira.
Aqui e ali ruinas milenares que têm resistido a vandalismos e saques ao longo da História.
Entre oliveiras, pombos e cedros, esculturas e colunas que resistem isoladas a tudo o que tem passado em seu redor nos últimos 2500 anos.
E no meio de milhões de gregos urbanos em stress e de fumos e tráfego e escapes e ruido e soldadinhos com saias e pompons nos sapatos e do inevitável assedio fotográfico de turistas asiáticos, custa a crer que ainda se encontram cantos escondidos, calmos, em que não se escuta nada mais que chilrear de pássaros.
E por esse elemento de surpresa, tanto ou mais que tudo o resto, é uma cidade que dificilmente deixa indiferente quem a visita.
Quanto á charada interactiva:
O que une as fotografias é a contraste brutal. O gigantesco polvo urbano e poluido e os caminhos de pastores que rodeiam a Acrópole.
O que une as fotografias é o sitio e o momento. Foram registadas no mesmo ponto de Atenas, tendo a objectiva sido apenas direccionada em duas direções diferentes.
O que une as fotografias são meros 90º.