Kalimero III


Foi como um nó na garganta. Uma noção bizarra de orgulho e uma experiência estranhamente emotiva para uma visita relãmpago a apenas mais um ícone turístico.
A sensação que ficou, e que se manteve repetida durante horas, foi a familiaridade daquelas pedras claras, daquelas colunas milenares, e a noção clara que foi aqui que começou tudo.
Numa colina de um país agreste e seco, uma sociedade inventou a noção de que todos os cidadãos são dignos de ser escutados, e a todos cabe dar opinião e delegar autoridade sobre o bem comum.
Mais que a polémica matriz judaico-cristã da Europa, é no meio daquelas colunas que finalmente se percebe em que consiste a raíz do "velho" continente, e o que nos distingue das outras civilizações milenares do mundo.
O extâse místico ainda durou umas horas, pelo menos até regressar às ruas esquizofrénicas da cidade, e a um ou outro contacto bizarro com a população local.
Imperdível, de qualquer modo, pela beleza intacta do lugar.
Quanto ao click mental, é como a fé ou o futebol: uns sentem, outros não.

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